Home > Educação > “Posso ir sozinho?”
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Se você é mãe e ainda não ouviu essa pergunta, saiba que seu coração vai doer quando ouvir!

Eu já ouvi e não soube o que dizer de imediato. Eu trabalho todos os dias noticiando situações de violência e de insegurança. Como vocês acham que eu me sinto quando escuto que um filho querer andar sozinho?

Pensando nisso e conversando com outras mães que também ficam apreensivas, pedi a uma #MãePraSempre que é especialista em segurança, para nos orientar sobre essa questão.

Suellen André de Souza é mestra em Sociologia pela UENF e chefe do Gabinete de Gestão Integrada Municipal da Superintendência de Paz e Defesa Social e escreveu para o blog. Vamos ler!

Esse é um tema polêmico e que preocupa muitas de nós, mães. É preciso pensar e agir sobre ele com cuidado e, sobretudo, coragem, pois, deixar que nosso bem mais precioso circule sozinho pela cidade onde os índices de violência crescem assustadoramente não é nada fácil.

Muitas vezes nos pegamos pensando exatamente que, na nossa adolescência andávamos sozinhos tranquilamente, mas hoje a realidade não é a mesma. Entretanto, como foi importante para nós, continua sendo para nossos pequenos ter acesso à cidade e domínio sobre ela para que se transformem em adultos seguros e responsáveis.

De acordo com Henri Lefebvre, em seu livro intitulado “O Direito à Cidade”, a cidade é o local do encontro, da realização prática e sensorial. Portanto, para os jovens, a cidade é um lugar imprescindível de sociabilidade, capaz de contribuir significativamente para o processo de amadurecimento.

Sabendo da necessidade de circulação e uso do espaço público por nossos pequenos, como fazer para que esse processo se dê com segurança? Não existe uma fórmula mágica que sirva para todas as situações, mas algumas dicas podem ser seguidas.

Primeiramente, precisamos identificar sinais de maturidade em nossos filhos, que estão relacionados à capacidade de realizar as atividades em casa sozinhos e perceber os riscos que cada uma delas implica em sua vida sem que um adulto precise ordenar que o faça ou diga.

Como um processo, nós pais somos os principais responsáveis pela transmissão da segurança. Portanto, antes de deixar que seu filho caminhe sozinho pelas ruas da cidade, vá com ele mostrando os possíveis riscos, experimentando, informando, empoderando.

Empoderar significa aqui deixar que, ao seu lado, seu filho decida a hora que vocês podem atravessar a rua, o ônibus que devem pegar, o caminho que devem percorrer. A partir de então conversem sobre essas escolhas, se foram as corretas e seguras. E inicie o processo permitindo que ele percorra caminhos não tão distantes, como ir à padaria na esquina de casa ou à pracinha mais próxima. O diálogo é muito importante nesse processo. Dê dicas importantes de segurança para ele.

Atualmente, os principais atrativos para os assaltantes são os telefones celulares, que nossos filhos ganham cada vez mais cedo. Mas, seu uso nas vias públicas é considerado um dos maiores fatores de vulnerabilidade. Nesse sentido, nada de falar ao telefone enquanto percorre os caminhos para casa, escola, comércio, shopping ou outro estabelecimento. E aí cabe a nossa participação, no sentido de não ficar telefonando para os pequenos, e esperar que eles nos liguem quando chegarem no destino final.

Outras dicas importantes a serem dadas e seguidas também por nós são:

– Esteja em alerta: observe o que acontece ao seu redor, as pessoas que circulam próximas a você, o trânsito que flui nas vias que passa, o ambiente e vias de acesso a sua disposição;

– Evite ostentar joias, relógios ou roupas de marca;

– Evite caminhar sozinho pelas ruas;

– Se perceber que está sendo seguido(a), entre em algum estabelecimento comercial, atravesse a rua ou procure lugares com aglomerações de pessoas.

– Caso seu filho de fato seja surpreendido por algum delinquente, ou presencie qualquer tipo de violência, instrua-o a NUNCA reagir, a não fazer movimentos que indiquem uma reação, como gestos bruscos, tentar pegar algo que não esteja à vista do criminoso ou ainda tentar fugir.

Além disso, que ele também não ofereça nada, nem sugira que poderá buscar dinheiro ou bens, ou pedir a alguém que traga; entregue o que o criminoso lhe pede, com movimentos lentos; cumpra as suas ordens em silêncio e tente, sem olhá-lo fixamente, observar características gerais, como altura, cor da pele, cor dos olhos, cabelos, roupas, o que poderá ajudar à sua identificação posterior pela polícia; não tentar perseguir ou seguir o criminoso e procurar a instituição de segurança mais próxima ou ligar para um familiar ou os telefones de emergência.

– Deixe ao acesso de seu filho todos os números de telefone de parentes e das instituições de segurança, explicando a competência de cada uma delas.

No mais, é confiar em seu filho e acreditar que essa liberdade é muito importante para o seu crescimento.

TELEFONES IMPORTANTES

Suellen André de Souza
Mestra em Sociologia pela UENF
Chefe do Gabinete de Gestão Integrada Municipal
Superintendência de Paz e Defesa Social

Família

4 Comments, RSS

  • Maria José C. Demarchi

    says on:
    23 de junho de 2016 at 01:40

    Achei o tema muito importante, tendo em vista o momento de insegurança em que vivemos. Quero parabenizar a Suelem pelas suas colocações tão esclarecedoras e responsáveis. Shou!

  • Patricia Garcia

    says on:
    23 de junho de 2016 at 18:13

    Vejo, que toda liberdade deve-se ser conquistada aos poucos pelos pequenos A pratica de uma psicologia comportamental se faz necessária , ou seja, uma liberdade observada. Afinal são menores! O estatuto da criança e da adolescente está aí para eventuais consultas! Tudo com moderação!

  • Claudenici

    says on:
    24 de junho de 2016 at 00:33

    Parabéns, Suelem!!! Suas dicas foram muito importante. Vivo com medo quando minhas estão na rua. Converso muito sobre algumas dicas que você citou. Oriento e peço ao nosso Deus que cuide do nosso bem maior!É preciso deixar nossos filhos(as) seguirem, não é mesmo?!

  • Luciane

    says on:
    27 de junho de 2016 at 13:33

    Bom Dagma eu já ouvi e estou sempre ouvindo porque Leonardo que ir pra escola sozinho e realmente é muito difícil, tenho uma insegurança muito grande, e me dói só em pensar em acontecer alguma coisa com ele. sei que tenho que trabalhar isso em mim, mais deixa isso pro ano que vem kkkk.
    Ótimo tema, gostei das dicas !

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