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Maior climão de dia dos namorados no ar, muitos corações nas propagandas e me lembrei que, vez ou outra, esse assunto de namoro aparece aqui em casa. Já aconteceu aí?

Claro que na primeira vez que ouvi as crianças falarem sobre isso (sim, os dois já falaram) meu coração apertou e fiquei sem saber direito como agir. Porque eu acho que criança não namora! Eu respeito quem leva isso numa boa, mas para mim, tudo tem um tempo nessa vida e viver cada fase na hora certa faz um bem enorme.

Embora tenha uma opinião sobre o assunto, sei que muitas pessoas incentivam isso nas crianças desde cedo, e queria saber de uma profissional como conversar sobre namoro com as crianças. Visitei Karla Trindade, neuropsicóloga, que ajuda muitas mamães e seus filhos.

Segundo Karla, a criança constrói seu imaginário com base nas mensagens e informações transmitidas pela família e por todos aqueles com quem convive. Para essa criança, ser namorado de alguém é gostar de estar junto, gostar da convivência, e quem se encaixa nesse perfil é aquele amiguinho ou amiguinha do momento.

“A criança muitas vezes pode dizer que está namorando um menino – ou até uma menina, porque essa é a forma, o perfil que ela tem de namoro (ela gosta de estar perto, de conviver com a outra criança). Os conflitos acontecem porque as pessoas entendem a palavra namoro no perfil de adulto. É preciso que entendam essa visão de namoro no mundo dos pequenos”, afirma a psicóloga.

Mas esse comportamento vai mudar. Karla alertou que a partir dos 7 anos de idade os meninos vão dizer que as meninas são chatas e as meninas vão dizer que os meninos são bobos. E só por volta dos 13 anos é que a criança vai passar a ter o interesse afetivo e sexual por alguém e, de fato, pensar no namoro como ele é.

“O namoro não é natural da infância. Nessa etapa da vida a criança deve ter tranquilidade para fazer amigos, para viver o lúdico, para brincar de acordo com seu desenvolvimento e ainda, e principalmente, estar voltada para o aprendizado escolar. Então cabe aos adultos explicar para os pequenos que criança não namora, mas que tem amigos, que gosta e que sente carinho por eles. Mas namorar mesmo, só depois de grande”, orienta.

Eu perguntei a Karla como devemos agir se o assunto persistir: devemos proibir?

A sugestão dela é de nem proibir, nem incentivar. Aquela frase que sempre escutamos: “E o namoradinho da escola?” não é bom porque pode reforçar. Assim também como o proibir não é uma boa estratégia porque podemos reprimir as manifestações afetivas da criança.

Melhor, segundo Karla, é agir com naturalidade. Não dar muita ênfase a esse assunto para não reforçar o comportamento. “O papel dos pais é mostrar o que é certo e o que é errado para a criança e ter uma forma de controle sobre esse assunto, de que criança não namora. Mas tem que exercer, fazer valer, esse controle”, finaliza a psicóloga.

Achei a conversa ótima e já até coloquei em prática aqui em casa. Vou tentar manter a naturalidade e o controle!

Karla TrindadeNeuropsicóloga. Psicoterapeuta
Clínica Cognitivo-Comportamental

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Um Comentário, RSS

  • Patricia Garcia

    fala sobre:
    12 de junho de 2016 at 16:51

    Concordo plenamente com as colocações da Dr Karla e acrescento que o dia dos namorados para os pequenos e também o dia do amigo! É bom reforçar este paralelo: no mundo adulto e o dia dos namorados, já para os pequenos e o dia do amigo! Simples, os adultos e que complicam essa relação de amor!

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