Principal > Família > Coragem deles, medo meu.
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Uma reflexão sobre o que a gente faz com a coragem dos nossos filhos quando elas se encontram com nossos medos.

Fim de semana deixei João ir à padaria de bicicleta (a duas quadras de casa, numa pista reta) e fiz isso como parte de um acordo nosso feito quando ele tinha 10 anos, dele ganhar mais autonomia.

Todo mundo queria picolé na tarde de um sábado muito quente. Eu sugeri que João fosse comprar e ele, prontamente, topou e pegou logo a bike. Foi nessa hora que meu coração deu aquele passo atrás e quase desistiu…o meu medo era maior que a coragem dele, mas não me senti no direito de romper nosso acordo. Deixei, mas fiquei olhando no portão (e gritei algumas vezes para ele se manter no canto da rua…rs) . João foi ficando pequenininho a medida que ia se distanciando até sumir dos meus olhos, daí bateu aquele aperto que eu fiz questão de silenciar. Esperei e ele voltou a ficar grande de novo, já estava voltando na mesma rapidez que foi. Sem picolé por que a padaria estava fechada, mas com um sorrisão aberto me dizendo que foi uma sensação maravilhosa! Daí, meu medo deu um tempo.

Domingo, outra prova. Fomos até uma cachoeira, um lugar maravilhoso, familiar e tranquilo até que achamos um escorrega de pedra. Muitas crianças estavam escorregando e suas mães (enlouquecidas) esperando na quedinha para contê-los. Meus dois super corajosos, mais velozes que furacão, me olharam com os olhos quase fechados de tanta alegria e fizeram aquela pergunta perturbadora: “Posso, mãe?”… Num piscar de olhos passam todos os prós e contras que aquela decisão pode trazer e meu medo, de novo, estava naquele enfrentamento. Venci-o. Deixei. Mas tratei de tomar minha posição de Tafarel no Gol do Brasil, nada passaria por mim! Foi divertidíssimo e o mais maravilhoso foi ver que sem coragem não vivemos bons momentos, nem conquistamos a vida.

Esses são apenas dois exemplos do tanto de medo que nós temos de deixar nossos filhos viver. E isso não é nada bom. O medo tem um lado positivo que é o zelo, o cuidado, a cautela. Mas viver é um grande desafio e sem coragem não desbravamos a vida com suas curvas, nem suas quedas.  Também não conhecemos novos horizontes, nem a delícia de um mergulho!

Encorajar os filhos não é nada fácil, precisa calar em nós os medos bobos e os grandalhões que, muitas vezes, paralisam até a nós mesmos! Quem sabe podemos aproveitar e aprender com nossos pequenos a sermos mais corajosos?!

 

 

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